Buscar
  • Mizael Izidoro Bello

Causo Jurídico: Do Bar Para o Fórum

Isso se passou em uma audiência de um processo trabalhista no qual o empregador tentava reverter a sua demissão por justa causa, alegando ter sido indevida.


A empresa havia demitido o funcionário por justa causa alegando que ele estava sempre bêbado durante o trabalho o que, segundo o empregado, seria uma mentira da empresa.


A audiência estava marcada para as 10h30. Às 10h27 a empresa e o trabalhador foram chamados à sala de audiências.


Tanto o empregado quanto sua testemunha não haviam chegado.


Assim entraram na sala de audiência os advogados e o representante da empresa.


Foi informado ao juiz que o empregado, mesmo notificado, não havia comparecido. Com isso o escrevente já passou a redigir a ata constando o

arquivamento do processo.


Entretanto, após alguns minutos de espera, na hora exata da audiência, o empregado foi novamente chamado (conforme regra a lei).


Para surpresa de todos o empregado chegou exatamente em tal momento (mesmo notificado para chegar com, no mínimo, meia hora de antecedência).


O empregado, ao entrar, andava com dificuldade, se segurando nas paredes para não cair, com semblante sonolento.


Estava visivelmente embriagado.


Com isso, a empresa não apresentou nenhuma proposta para acordo.


Depois dos trâmites de praxe, o juiz chamou a testemunha do empregado para ser ouvida.


Ao entrar na sala de audiências a testemunha apresentava os mesmos sintomas de embriaguez do empregado.


Com muita dificuldade, o homem conseguiu se sentar na cadeira das testemunhas.


Após pergunta feita diretamente pelo juiz à testemunha, esta contou, sem rodeios: estava em um bar próximo ao fórum bebendo cachaça junto com o empregado antes da audiência e, por pouco, não perderam o horário.


E foi além. Contou que, quando trabalhavam para a empresa (a testemunha era colega de trabalho do homem demitido por justa causa), ele e o autor da ação costumavam beber antes do horário de trabalho e durante o período de almoço.


O juiz indagou:


- Qual tipo de bebida? Cerveja?


A testemunha respondeu sem pestanejar:


- Não doutor, a gente gosta mesmo é de uma cachacinha de leve. Mas cada um tomava no máximo umas cinco ou seis doses só, pra não atrapalhar no serviço.


Não foram feitas perguntas pelos advogados os quais, diante da situação, resolveram firmar acordo.


12 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo