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  • Mizael Izidoro Bello

Causo Jurídico: Pastor na Cadeia

Um pastor, homem honrado, com graduação superior, abstêmio, bom pai de família, casado há mais de vinte e cinco anos, por situações da vida, teve um acesso de raiva e discutiu com a mulher.


Não houve agressão física, apenas gritaria e, talvez, alguns xingamentos moderados, mas berrados com vontade.


A mulher, após o ocorrido, ainda assustada, sem o marido saber, o denunciou na Delegacia da Mulher mais próxima.


Denúncia feita, ao final a mulher não solicitou nenhuma das medidas protetivas, acreditando não serem necessárias (e realmente não eram).


Passados alguns dias, após pedido sincero de perdão por parte do marido, a harmonia voltou ao lar.


A mulher então começou a se sentir culpada e confessou ao marido a denúncia feita.


O marido então, apesar de homem inteligentíssimo, era leigo quanto ao direito penal, em especial à Lei Maria da Penha e, calmamente, disse à esposa:


- Não tem problema, te levo agora na delegacia e você pede para retirar a queixa.


Com a concordância honesta da esposa, o pastor tirou o seu veículo da garagem (um Fiat uno com uns bons anos de uso, não era um daqueles pastores ricos que costumam aparecer na TV) e a levou à delegacia.


Enquanto a mulher foi "retirar a queixa" o marido ficou esperando no carro.


A delegada então, diante do pedido da esposa do pastor, questionou se ele havia pedido que ela fizesse isso e, honestamente, a mulher confirmou.


Acontece que, em casos semelhantes, é costumeiro que um marido ameace a esposa para que "retire a queixa" e a delegada, certamente competente e com prática em tais situações, acreditou ser esse o caso.


Resultado: dois policiais foram ao veículo do pastor e efetuaram sua prisão em flagrante por suposto crime de coação.


Desesperada, a própria esposa foi procurar um advogado.


De posse dos documentos apresentados pela mulher, de imediato o advogado solicitou a soltura do pastor ao juiz.


Entretanto, sabendo que a situação poderia levar alguns dias para se resolver (por azar, o caso foi enviado a uma vara criminal mais demorada do que as demais), o advogado solicitou à esposa do pastor uma cópia do diploma de graduação superior do homem.


Após alguma busca, a esposa do pastor encontrou, no dia seguinte, o documento. De imediato o advogado, munido da cópia do diploma, visando solicitar a transferência do pastor para uma cela especial, foi ao centro de detenção provisória.


Ao falar com seu cliente este disse que não queria ser transferido para uma cela especial.


Afirmou, ao advogado que, embora a cela comum que ocupava estivesse em condições precárias, preferia permanecer nela, pois, estava ensinando a palavra de Deus e convertendo os demais detentos.


O advogado, sem acreditar, confirmou por várias vezes se era esse mesmo o interesse de seu cliente, que permaneceu firme na decisão.


Dois dias após isso, o pastor foi colocado em liberdade.


Esperamos que tenha sido tempo suficiente para que seus colegas de cela tenham aprendido o caminho da salvação de Deus.

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